sábado, 1 de outubro de 2011

TIRANÍDEOS

TIRANÍDEOS   formam uma família enorme e heterogênea que ocorre em toda a região neotropical. Estão  bem representados na região, onde existem desde espécies diminutas e de colorido discreto, até aves grandes e chamativas. Diversas espécies são raras e de biologia e comportamento pouco conhecidos. Ocorrem em todos os ambientes, tanto aberto quanto florestais, nativos ou criados pela ação humana, e mesmo em áreas urbanas. A maioria das espécies alimenta-se de insetos e outros invertebrados, mas diversas consomem também frutos nativos ou cultivados. Podem ser difíceis de identificar e em certos casos a voz é a melhor característica.

O GÊNERO TODIROSTRUM inclui tiranídeos de bico longo e chato, mais arborícolas e com postura mais horizontal que a maioria dos Hermitriccus. Em geral mais fáceis de ver.

RELÓGIO Todirostrum cinereum

Comum, de ocorrência ampla em áreas alteradas com árvores esparsas, também em cidades. Testa e face pretas, mudando para cinza na nuca e oliva no dorso, olho amarelo, pode ter um pontinho amarelo perto do bico, asa preta, com filetes amarelos, cauda graduada, preta com laterais brancas.


Amarelo-vivo por baixo. Fácil de ver, em locais expostos, é arborícola, mas pode descer bem baixo. Irrequieto, ergue e abana a cauda. Geralmente em casal, não se junta a bandos mistos, vocaliza bastante, dá um chamado áspero e matraqueado, como a corda de um relógio antigo (daí o nome), dá também um “tâc tâc tâc...”


O GÊNERO Tolmoyias
Inclui tiranídeos florestais de colorido oliva e amarelo. Têm bicos muitos largos e chatos e são difíceis de identificar
PRÍNCIPE Pyrocephalus rubinus

Razoavelmente comum, de forma localizada, em área abertas com arbustos e árvores, também ao redor de sedes de fazendas, migrante austral, presente na região no inverno.





O macho inconfundível, muito vistoso, com coroa e partes inferiores vermelho-vivas, partes superiores e máscara pelo olho preto-foscas.




A fêmea marrom-escura por cima, testa mais clara, asa e cauda mais escuras, asa sem faixas evidentes. Garganta branca, peito branco com rajado escuro, barriga e crisso rosados.


Pousa em poleiros expostos, sai em voos curtos para pegar insetos e volta a segui. Na reprodução, o macho faz uma exibição chamativa, pairando no ar enquanto repete um “pi-d’d’d’d’rít” musical, às vezes antes de clarear.


PATINHO Platyrinchus mystaceus

Escasso, em mata e capoeira. Bico muito largo e chato, mandíbula clara; bem miúdo e rabicó. Marrom-oliváceo por cima, coroa com mancha amarela, em geral oculta, complexo padrão pardo-amarelado e preto na face. Garganta branca; pardo por baixo, centro da barriga amarelado.


Discreto, pousa em silêncio a baixa altura e não se junta a bandos mistos, fica na folhagem densa do sub-bosque e desloca-se de forma rápida e abrupta, sendo difícil acompanhar seus movimentos, o chamado mais frequente é um “uic” cortante , ás vezes dobrado, “uikik”. Canto, um trinado musical, primeiro em descendente e depois ascendente, terminando com um “uic”


O GÊNERO XOLMIS reúne de campo aberto, vistosos, fáceis de detectar e às vezes numerosos. Têm colorido simples, com branco, cinza e preto. Costumam se silenciosos e pousam em moitas, arvoretas, mourões e na fiação, descendo ao chão para pegar insetos.
NOIVINHA Xolmis irupero
Fácil de ver, ás vezes comum em áreas abertas com arbustos e arvores, tanto naturais quanto antrópicas, no S do pantanal. Plumagem muito branca, com preto só na asa e na ponta da cauda.  



A fêmea lavada de cinza nas costas. Inconfundível e graciosa, pousa em lugares bem expostos e desce ao chão para pegar presas, ás vezes depois “peinerar” (pairar no ar). Silenciosa, na reprodução o macho dá um “priiip, tuit priiip tuit...” suave.

NOIVINHA-BRANCA Xolmis  velatus

Razoavelmente comum, em áreas abertas com arbustos e árvores. Cabeça branca, nuca cinzenta, dorso  cinza com rabadilha e metade basal da cauda brancas, contrastantes, metade distal da cauda preta. 



Asa enegrecida com filetes brancos e larga estria branca ao longo das penas internas de vôo. Branca por baixo, vive em pares, pousa em locais bem expostos, como galhos secos e fios de eletricidade, e costuma abrir a cauda com freqüência, permite grande aproximação. Silenciosa


MARIA-BRANCA Xolmis  cinereus
Razoavelmente comum, em áreas abertas com arbustos e arvores, como pastos e plantações. Cinza por cima com estria branca sobre o loro, olho vermelho.
Asa preta com mancha branca na base das primárias, cauda peta com ponta branca, garganta branca  com bigode preto, peito cinza , barriga branca. Improvável confundi-la, permanece ativa até nas horas mais quentes do dia, pousa em poleiros expostos, de onde parte para pegar insetos em voo; as vezes também corre pelo chão. Voo ligeiro, direto e gracioso. Silenciosa, na reprodução dá um “Pi-priii” modulado suave.



SIRIRI-CAVALEIRO Machetornis rixosa
Comum de ocorrência ampla em qualquer tipo de área aberta, inclusive gramados, jardins e terra nua em sedes de fazendas e cidades.
Olho vermelho. Pardo-oliváceo por cima, mais cinzento na coroa e nuca, com uma mancha laranja no alto da cabeça, em geral oculta. Cauda com estreita ponta esbranquiçada, pernas longas. Garganta branca, por baixo amarelo.





Vive em casal ou grupinhos, corre pelo chão, com uma postura ereta, parando a cada tanto para olhar os arredores, bem esticado, segue cavalos e bois e pode pousar no dorso das animais, descendo para perseguir insetos espantados por eles, pousa também em telhados e galhos exposto. Costuma ser manso na proximidade de habitações humanas e em cidades. Dá uma série ascendente de notas muito finas, mais rápidas no final, a voz lembra do siriri.

As LAVADEIRAS são tiranídeos fáceis de ver à beira d’água, com plumagem elegante preta e branca. Geralmente em casais, percorrem o chão e caminham sobre a vegetação flutuante. Costumam abanar e abrir a cauda mantendo-a meio erguida.

FREIRINHA  Arundinicola leucocephala
Razoavelmente comum em brejo e campo úmidos. Base da mandíbula amarela, o macho inconfundível, com leve crista, preto com cabeça e garganta brancas, contrastantes.






A fêmea marrom acinzentada por cima, com testa branca e cauda preta, por baixo, esbranquiçada, com lados e flancos lavados de marrom. Fácil de detectar, pousa em taboas e juncos, em talos de capim e galhos finos e baixos. Pega insetos em voo. Não costuma andar pelo chão e não abre ou abana a cauda. Muito silenciosa.



LAVADEIRA-DE-CARA-BRANCA  Fluvicola albiventer


Escassa ou relativamente comum, em brejos e vegetação arbustiva adjacente; mais numerosa no Pantanal. Cabeça e partes inferiores brancas, contrastando com nuca, costas, asa e cauda pretas; rabadilha e faixas nas asas também brancas.




É improvável confundi-la. Alimenta-se de pequenos insetos, que captura enquanto caminha pelo chão ou sobre plantas flutuantes. Não vocaliza muito; às vezes emite um "zuir-zui-zui-zui" anasalado ou um "piur!" mais cortante.



O GÊNERO CASIORNIS inclui tiranídeos de cerradão, cor de canela, menores e mais delgados que os Myiarchus. Duas espécies que raramente ocorrem juntas.


NEINEI Megarynchus pitanguá


Razoavelmente comum, de ocorrência ampla em mata, capoeira, bordas e áreas abertas próximas. Bico muito forte e largo. Com cúlmen curvo. Coroa e máscara pretas. Separadas por sobrancelha branca, mancha amarela oculta na coroa, marrom-oliváceo por cima, asa e cauda com pouco ou nenhum canela, garganta branca, amarelo-vivo por baixo.




Compare com o bentevi, de bico mais estreito e de cúlmen reto, mais marrom por cima, filetes canela na asa e cauda voz distinta. Barulhento, pousa mais alto que o bentevi e oculta-se mais na folhagem, o casal pode juntar-se a bandos mistos, come insetos e frutos. Dá com frequência num “nhé-nhé-nhé” anasalado e estridente, que originou seu nome, também chamando de bentevi-de-bico-chato.
BENTEVI Pitangus sulphuratus
Comum de ocorrência ampla em borda de mata e qualquer ambiente alterado, abundante em cidades. Uma das abes mais populares do Brasil. Bico forte e reto, coroa e máscara negras, com longa sobrancelha branca, mancha amarela semioculta na cora, marrom por cima , asa com filetes canela, garganta branca, amarelo-vivo por baixo.



Chamativo e barulhento, pousa em locais bem visíveis, em casal ou grupinhos familiares. Come insetos e frutos, pesca peixinhos e caça pequenos vertebrados. Faz grandes ninhos esféricos, no alto de árvores ou até em transformadores em postes de luz. O canto, bem conhecido, é um sonoro “bem-ti-vi”, também dá um “iiii” no mesmo timbre.
 
O GÊNERO Myiozetetes  inclui vares espécies que lembram o bemtevi, mas são menores, com bico bem mais curto. Às vezes são vistas junto com ele.
BENTEVI-RAJADO  Myiodynastes maculatus
Razoavelmente comum em borda de mata, capoeira, e áreas abertas com árvores. Presente na região na época quente, quando esfria migra para a Amazônia. Grande, com intenso rajado. Marrom-escuro por cima, com grossas estrias pretas, mancha amarela semioculta na coroa, sobrancelha branca, máscara preta, face branca e “bigode” rajado de preto e branco.
Asa com filetes esbranquiçados; rabadilha canela, penas da cauda pretas, margeadas com canela. Garganta branca, por baixo, branco ou amarelado, com forte rajado preto. Sozinho ou em casal, frequentemente barulhento e chamativo. 



Come insetos e frutos. Tem vários chamados fortes e ásperos, incluindo um “kip!” repetido e um “tchip” ou “i-tchip”. O canto é mais musical, dado sobretudo de manhã e ao escurecer, um “ui-tchir-dé!” rítmic, repetido e rápido, às vezes sem a nota final


O GÊNERO MYIOZETETES inclui várias espécies que lembram o bentevi, mas são menores, com bico bem mais curto. Às vezes são vistas junto com ele

BENTEVIZINHO Myozetetes similis
Razoavelmente comum em áreas arbustivas e em bordas de mata e capoeira; quase ausente no N do Pantanal e na região da Chapada dos Guimarães.


Coroa cinza-escura com mancha alaranjada semioculta, longa sobrancelha branca e máscara enegrecida;  demais partes superiores oliváceas, coberteiras da asa orladas com cinza ou pardo. Garganta branca, por baixo amarelo-vivo. O jovem pode ter tanto as coberteiras como as primárias orladas de canela. Dá vários chamados ásperos, como um “kriiíu” frequente, um “utittititi!” e um “uii! “ agudo e cortante.



O GÊNERO MYIARCHUS inclui tiranídeos de porte médio, de ambientes arborizados. Muito parecidos entre si, é mais fácil identificá-los pelas vozes características. Aninham em ocos de árvores.

GIBÃO-DE-COURO   Hirundinea ferrugínea
Razoavelmente comum perto de paredões rochosos, ás vezes em edificações em fazendas e cidades. Migrante austral pode aparecer no inverno. Marrom por cima, rabadilha e base da cauda ferrugíneas, vem visíveis.
Não há outro tiranídeo semelhante. Sedentário, vive em casal ou grupinhos familiares, pousando em saliências de paredões rochosos ou da fachada de edifícios, em áreas urbanas, não se incomoda  com a movimentação de pessoas ou carros. Ao voar, o ferrugíneo das asas fica bem evidente. Emitem chamados finos como “uiur!” ou “uiu-r-r-r-r”.

O GÊNERO CASIORNIS inclui tiranídeos de cerradão, cor de canela, menores e mais delgados que os Myiarchus. Duas espécies, que raramente ocorrem juntas.
CANELEIRO - Casiornis rufus
Razoavelmente comum, de ocorrência ampla em cerradão e mata de galeria. Base do bico rósea. Canela-vivo por cima. Garganta e peito canela, barriga pardo-amarelada. Mais esguio, de cauda mais longa que outros caneleiros.
Arborícola, as vezes desce ao sub-bosque, em casal, pousa ereto e costuma arrepiar a crista, acenando com a cabeça, comum Myiarchus. Junta-se a bandos mistos. Silenciosa, dá um “pssi” fraco e estridente, as vezes dobrado.


O GÊNERO SERPOPHAGA inclui espécies pequenas e de colorido apagado, com mancha branca no meio da coroa. A maioria é arborícola e há também um especialista em ambientes ribeirinhos.

ALEGRINHO Serpophaga subcristada
Escasso, em borda de mata, capoeira, áreas abertas com árvores e arbustos, status na região incerto, talvez presente como visitante de inverno. Cinza-oliváceo por cima, mais cinza na cabeça e pescoço, sobrancelha branca curta, crista com branco no meio, em geral bem visível, asa escura com duas faixas brancas.
Peito cinza-claro, barriga amarelo-clara. Sempre ativo, percorre a vegetação a alturas variadas, muitas vezes em locais abertos. Emite vários matraqueadinhos finos e delicados, como um “tiritititic”.

GÊNERO THYRANNUS  inclui tiranídeos de porte médio, habitantes de áreas aberas e fáceis de avistar. Na região, duas espécies tem barriga amarela e outras duas tem as partes inferiores brancas por baixo, uma delas com cauda muito longa.
SIRIRI Tyrannus melancholicus

Abundante e fácil de detectar em áreas abertas, incluindo pastos e plantações, e em cidades. Boa parte da população migra para norte, rua à Amazônia, com a chegada do frio, na porção N da região parece ser residente o ano todo. 




Cabeça cinza com máscara mais escura. Oliva-acinzentado por cima, asa e cauda enegrecidas, cauda levemente furcada. Garganta acinzentada, peito e barriga amarelo-vivos. Sozinho ou em casal, pousa em locais bem expostos e permanece ativo o dia todo, Captura insetos em voo, partindo de poleiros , e fora  da época de cira como muitos frutos. tem vários chamados agudos, o mais comum é um "siriri", que originou seu nome.


TESOURINHA   Thyrannus savana


Tem  longa cauda em tesoura. Razoavelmente  comum, em campos sujos, pastos com árvores e pomares, residente de verão, no frio migra para o N, até a Amazônia. Inconfundível, cabeça preta, costas cinzentas. Asa escura, longa cauda preta, em tesoura, a lamina externa das penas externas da cauda tem base branca. 




Branca por baixo. Jovem com boné mais marrom, sem penas longas. Fácil de detectar e muito bonita, costuma pousar sobre moitas e árvores, inclusive em jardins. Dá vôos longos e graciosos para pegar insetos em vôo. Na época de reprodução é vista em casal, mas em outras épocas é gregária, migrando em bandos, fora da reprodução como muitos frutos.



TIJERILA   Xenopsaris albinucha

Rara, de ocorrência localizada em cerrado, campos sujos e caatinga. O macho com coroa preta, loro branco e nuca cinza-clara; por cima, cinza-amarronzado, asas mais amarronzadas; cauda preta com laterais brancas. Branca por baixo. 




A fêmea mais marrom na coroa e por cima, barriga lavada de pardo. Jovem com coroa escamada de branco. Ativa, de aparência aleta, difícil de confundir. Só ou em casal, não se junta a bandos mistos, em geral silenciosa.



Um comentário:

Rogério Rodrigues disse...

Parabéns. Eu sou agradecido por compartilhar seus conhecimentos.